INTRODUCTION

 Non è facile scindere, in Alberto Gallingani, l’uomo dall’artista. L’uomo Gallingani avoca a se la moderazione e la tolleranza di colui che trasportato dal senso vacuo della vita lotta quotidianamente con i propri grovigli interiori immergendosi in una sorta di personale e silenziosa reiezione nei confronti dell’affanno nietzcheiano di eternità monodica e animistica. Egli, insomma, non crede alla fragilità liberatrice del sacrale èlan vital ma, piuttosto, cerca di dare risposte, attraverso il suo obbiettivo mentale introversivo e dolcemente anarchico, alle domande sulla condotta dell’individuo in quanto cittadino del mondo moralmente e fisicamente irretito dalle false lusinghe dell’oggidiano cours existentiel nonché sulla decadenza dell’essere quale unità autoconsapevole delle leggi di causalità che ne regolano le idee, gli impulsi e le emozioni. L’artista Gallingani, di contro, va verso l’opera con una forte attenzione socio-antropologica guidata dal traino di una presumibile oggettività del documento, col riporto, cioè, di una rappresentazione identitaria e alteritaria che tiene ben conto, lungo una posizione di giudizio a volte gridato, a volte laceratamente mormorato, in ogni modo costantemente esitato per vie metaforiche e metonimiche tra memoria privata e referenzialità pubblica laddove l’opera, appunto, si pone in relazione con la nostra esperienza ordinaria opponendosi al soffio del pensiero debole che la nega nell’atto del suo compimento, chiudendone l’accesso alla realtà altresì dichiarando l’inutilità del suo processo ontologico. Ed è dunque al di là di una poetica specifica che il lavoro di Gallingani si esplica nel tentativo di rompere gli argini di maniera dell’arte “ma avendo – tanto per citare Heidegger – sempre presente l’ideale di un’arte totale, cioè di una composizione che alla fine comprendesse tutto”…

 

 

                                                                                   Pier Paolo Castellucci

 

                                                     ( Galerie l’Ollave Prèoccupations n°11 – 1999)

 

 

 

 

Apresentando Alberto Gallingani na Galeria Zeller

 

Não conhecia pessoalmente Alberto Gallingani. Estive hoje com ele. Um homem extremamente simpático. Conhecia apenas reproduções de algumas das suas obras. Portanto, a minha apresentação terá de ser superficial e não será a que ele merece.

 

Alberto Gallingani nasceu em Florença em 1938, cidade onde vive e trabalha. Durante a sua vida percorreu longos e cruzados caminhos que o levaram do realismo ao abstraccionismo, passando pela fotografia, pela escultura, pelo vídeo, pela performance.

 

Com vários outros pintores fundou em 1971 o estúdio artístico “Il Moro”, e em 1973 “O Ciclo da Geometria Utópica” trouxe-lhe um grande compromisso com os valores ideológicos das relações humanas. Descobriu “la Pittura di Nuova Realità”, abriu caminhos através de “Il Manifesto della Pittura de Nuova Realità” e “Il Manifesto della Morfologia Costrutiva”. A partir de 1981 a sua actividade artística estendeu-se ao resto da Europa. Desde então ele desenvolveu através de uma espécie de contaminação total da linguagem, da forma, dos materiais, do tempo e das situações um complexo trabalho que, sem dificuldade, se insere na realidade colectiva da arte contemporânea.

 

Não vou dissecar as obras de Gallingani, por um lado porque seria um trabalho muito difícil, e por outro lado porque sempre foi minha opinião que qualquer obra de arte não deve ser descodificada, ainda que parcialmente. A descodificação de uma obra de arte é sempre um fenómeno redutor que pode empobrecer a obra, pode silenciá-la e pode retirar-lhe toda a força geradora das capacidades interpretativas. Assim sendo vou referir-me a ela de uma forma global e abrangente.

 

Uma pintura não é só o que se vê, o que lá está, fixo e imutável. Não é, principalmente, o que se vê. Uma pintura é o que está para além dela, o que se vive e o que se sente ao contemplá-la. Ela existe para despertar em nós as mais variadas emoções e arrancar do nosso íntimo os mais diversos sentimentos, alguns hibernando há muito no fundo do nosso subconsciente.

 

Ao observar atentamente, durante dias, a complexa e intrincada pintura de Alberto Gallingani veio-me à memória um pintor ucraniano, Edward Belsky, vinte anos mais novo, cujas obras conheço há algum tempo e das quais sempre gostei muito. Entre os dois pintores há, com efeito, algo em comum, alguma similitude, o que deve ter influenciado o meu espírito. Na verdade, ao contemplar a pintura, em geral, de Gallingani, eu sou arrastado para sentimentos cujos padrões, muito provavelmente já existiam em mim e que estão próximos dos que me despertara a pintura de Belsky.

 

Desta forma, eu posso dizer que aquilo que me parece percorrer estas obras, na minha visão e interpretação pessoal, claro, é uma espécie de permanente contradição e contraste entre as duas formas de cultura que nos envolvem nesta sociedade em que vivemos, mais felizes ou menos felizes, mas de uma maneira geral tristes. De um lado, a verdadeira cultura, a cultura positiva, a cultura da construção, o sentimento cultural tão importante como o sangue, único caminho, a meu ver, para a estruturação da sociedade, para a integração social. Do outro lado, a falsa cultura, a cultura negativa, a cultura da desconstrução e da destruição, a anti-cultura e a contra-cultura da corrupção generalizada, do ter e do poder, do roubo e do assalto a tudo aquilo que é de todos numa sociedade pretensamente organizada e humanamente equilibrada.

 

A primeira, a cultura da civilização, da dignidade, da educação, da integridade e da inteligência é, como já disse, o único caminho para uma sã estruturação da sociedade, para a integração, coesão e solidariedade, o único caminho para o equilíbrio, a harmonia, a justiça, a liberdade, a felicidade e a alegria de viver. A segunda é, sem dúvida, a pseudo-cultura, a cultura da negação, a cultura da corrupção, da podridão, do salve-se quem puder, do suborno, do nepotismo, do compadrio, que leva à destruição, à desintegração e à indigência de sentir como felicidade suprema o deitar as unhas a uma lagosta, sentar o rabo num Ferrari ou num jacto privado, ou sentar-se num monte de notas cada vez mais alto, de onde se possa enxergar cada vez melhor a miséria do mundo.

 

Por isso a cultura é um inimigo a abater. E os governos, que são os governos dos grandes, falaciosamente apresentados como governos do povo, os governos daqueles a quem a cultura incomoda, sabem como fazê-lo, sabem como matar a cultura, não só através da progressiva redução e anulação dos caminhos que a ela conduzem e das programadas reduções orçamentais mas também através da massificação da vida, da estupidificação, dos obscurantismos de toda a ordem, religiosos ou não, e da globalização de ambiências que conduzem progressivamente às mais rudimentares formas de pensar e mesmo à irracionalidade. São exemplo as catedrais de lixo das grandes superfícies, os espectáculos de massas, televisivos, pseudo-desportivos e outros, cuja finalidade é o entretenimento superficial dos sentidos e a expressão e prevalência das mais básicas emoções do ser humano.

 

São estes, de uma forma global, os sentimentos que a pintura de Gallingani conseguiu reacender em mim, soprando algum lume que ainda não se havia apagado. Outros serão conduzidos a outro tipo de interpretações, emoções e sentimentos. É essa a função da arte, muito especialmente da pintura.

 

Obrigado amigo Wanzeller e parabéns por ter trazido até nós uma parte da obra deste grande artista. Parabéns Alberto pela tua vida e pela tua obra.

 

                                                                                                          Adão Cruz

                                          BIOGRAPHY

Alberto Gallingani was born in Florence, Italy where he still lives and works. After an initial period of formative pictorial experiences of a realist nature, in 1961 he came into contact with artists of the Florentine abstract movement and in particular with Vinicio Berti, with whom he completed his training and also developed and fully realized his artistic experience within the context of the “Pittura di Nuova Realtà” (“New Reality Painting”) movement.
In the same period, he frequented Fiamma Vigo’s “Numero” Art Gallery where, at a very young age, he held his first solo show.
In 1965 he won a scholarship for young artists offered by the City Council of Florence. In 1969, he drew up the “Primo Manifesto della Pittura di Nuova Realtà” (“First Manifesto of New Reality Painting”).
It was in 1971 that he founded, along with other Florentine artists, the "Il Moro" Art Studio and adhered to the “Manifesto della Morfologia Costruttiva” (“Manifesto of Constructive Morphology”).
Meanwhile, his artistic experience was evolving; the “Geometrica Utopica” (“Utopian Geometric”) series (1973) was created, highlighting the ideological values in human relationships. His interests widened: he started to use photography.
His installation, “Ho disegnato sul pavimento un quadrato di 50 centimetri di lato” (“I drew a 50 cm-sided square on the floor”), dates to 1976, while his first performance, "Ho dipinto con il bianco" (“I painted with white”), was presented in 1977. This was the beginning of a period of intense experimentation which led him to the margins of Mail Art. In 1978, he and Gianni Becciani founded "Art in Opposition", the first Mail Art magazine in Italy. He was invited to the XVI Bienal de Sao Paulo - Arte Postal curated by Walter Zanini (1981).
In the same period he did many painted photographs, until in 1979 painting fully re-emerged. Thus, the “Lettere da Berlino” (“Letters from Berlin”) series (1982-1986) came into being.
Since 1981, his artistic activity has reached beyond national boundaries, finding fertile ground for expansion in the rest of Europe.
Since 1992, his work has been evolving towards the complementarity of languages.
GALLINGANI & associati was founded in 1998. He participated in the 50th Venice Biennale (2003) “Extra 50” Section – “Brain Academy Apartment” International Project - Curators Emilio Morandi and Gugliemo Di Mauro.
In 2003, together with other artists, he founded the “ZEROTRE Movimento per l’Arte Effimera” (“ZEROTRE Ephemeral Art Movement”).
GALLINGANI & associati has been producing videos since 2004. Its work is increasingly present on the European, American and Asian scenes with shows in museums and private galleries, thus consolidating

biography